sexta-feira, 15 de junho de 2012

a expansão da atividade industrial


Durante a Primeira República (1889-1930) a economia brasileira se caracterizava pelo predomínio da atividade agroexportadora. O café, o açúcar, a borracha, o cacau e o fumo eram os principais produtos e geradores de rendas para o país. Já se registrava, entretanto, o funcionamento de diversas indústrias, inauguradas desde as últimas décadas século XIX. Diversos fatores explicam o nascimento da indústria no Brasil. Um deles foi a formação do capital inicial a partir do comércio exportador e da lavoura cafeeira. Ao aumentar a renda da população e a demanda de produtos de consumo não duráveis, a política de valorização do café também contribuiu para a expansão da atividade industrial. Outro elemento de estímulo para a indústria foi a política de incentivo à imigração que aumentou o quadro de trabalhadores no país, possibilitando a exploração da mão-de-obra a baixo custo. 

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, o fluxo internacional de comércio sofreu uma drástica desaceleração. Aumentaram as dificuldades para a exportação do café brasileiro, que foram ainda mais agravadas pela volumosa safra de 1917-18. Paralelamente, porém, o conflito mundial favoreceu o processo de industrialização do Brasil. A interrupção da entrada de capitais estrangeiros e a obrigação de honrar os compromissos da dívida externa minaram os estoques de divisas nacionais. Como conseqüência, foi necessário controlar as importações, já prejudicadas devido à guerra, e promover a produção nacional de artigos industrializados – coisa que já se processava antes mesmo da guerra, mas agora com mais ênfase. Estima-se que a produção industrial brasileira cresceu a uma taxa anual de 8,5% durante os anos de conflito. 

Ao mesmo tempo que incentivava, a guerra criava limites à expansão da nossa indústria ao impedir a reposição e manutenção de máquinas e equipamentos, pois a maioria era ainda importada. O problema era que o Brasil continuava carente de uma indústria de base que inclui a produção de aço, ferro e cimento. Data somente de 1924 o início da produção de aço no país, pela siderúrgica Belgo-Mineira, enquanto a produção de cimento, pela Companhia de Cimento Portland, só se iniciou em 1926. Até 1950, o principal combustível brasileiro era a lenha, sendo utilizada por cerca de 50% das pessoas. 

O processo de industrialização da década de 1920 se dividiu em duas etapas: a primeira até 1924, coincidindo com a terceira valorização do café (1921-24), quando foram realizados importantes investimentos em maquinaria que levaram à modernização da indústria; a segunda, de 1924 até 1929, quando ocorreu um processo de desaceleração na produção industrial, em virtude da retomada do fluxo de importações graças a uma taxa de câmbio que tornava mais barato a produção do estrangeiro.

A despeito da relação entre café e indústria, que se refletia inclusive na união das famílias por meio de casamentos ou no duplo papel do cafeicultor-industrial, não se pode negar a existência de disputas entre fazendeiros e industriais, principalmente quanto à delicada questão da elevação de tarifas. Tanto a burguesia cafeeira quanto a nascente burguesia industrial queriam proteger seus interesses. Assim, em 1922 foi criado o Instituto de Defesa Permanente do Café, órgão destinado a organizar o mercado produtor nacional (mas com outros interesses também). Não demorou muito para que essa função passasse a ser de atribuição do Estado de São Paulo, com a criação, em 1924, do Instituto do Café de São Paulo. Os industriais também se organizaram em diversas associações de classe, em cidades como São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. O Centro Industrial do Brasil (CIB), sediado no Rio de Janeiro, o que um do que mais se destacou por procurar articular os interesses empresariais em todo o país. Ao longo das greves ocorridas entre 1917 e 1920, o Centro conseguiu garantir a união do setor industrial frente à classe operária. O CIB também procurou limitar a intervenção do Estado na questão social, a fim de evitar um excesso de ônus para os industriais e o cerceamento de sua liberdade na condução das relações com o operariado. Mas não se deve romantizar a história do CIB, porque claramente possuíam seus interesses também. 

A crise política dos anos 1920 foi caracterizada pela rejeição do sistema oligárquico, que era associado ao "rei Café". Seu desfecho foi o fim da hegemonia da burguesia cafeeira na condução da economia e da política brasileiras. Mas a estreita relação entre café e a indústria fez com que tanto os cafeicultores quanto os industriais fossem identificados como beneficiários da política do governo. De fato, os industriais - supostamente representantes dos novos tempos - aliaram-se em sua maioria aos setores mais conservadores das forças em luta – coisa que haviam feito também os cafeicultores durante largo tempo. Ao se inaugurar a Era Vargas, apesar das dificuldades políticas e econômicas enfrentadas, a industrialização do país já iniciara um caminho sem retorno.
Por Amilson Barbosa

quinta-feira, 14 de junho de 2012

qual o regime que prefere!


DEODORO

A primeira República, isto é, o curto período que vai da proclamação até a posse de Prudente de Morais, em 1894, é um dos períodos mais difíceis e intricados da nossa História.

A consolidação do Novo Regime não foi fácil. Além das reações dos monarquistas, os primeiros governos republicanos tiveram que enfrentar as divergências entre os próprios vencedores.

Deodoro e os “republicanos históricos” não inspiravam confiança...

Deodoro um distinto oficial do exército – o mais graduado – e em toda a sua vida fora monarquista e amigo do Imperador. Chegara a Chefe do Governo Provisório e a Presidente Constitucional da Republica.

O Decreto de instituição do novo regime dissolve as Câmaras, destitui os governos provinciais, o Conselho de Estado, conservando, todavia, os quadros administrativos e a justiça.

Jornais são violentamente censurados com o célebre decreto rolha de 23 de dezembro de 1889;

Ninguém poderá acusar Deodoro de haver pretendido, em qualquer momento, tirar proveitos pessoais do poder. Mas é certo que achava natural pudesse premiar alguns amigos, distribuindo cargos e vantagens como um vovô que distribui bombons aos netinhos.

Ministro da fazenda do governo Provisório é convidado o Srº Rui Barbosa, deputado e jornalista que não era sequer republicano e menos ainda financista.

O Barão de Lucena, homem do Império é o braço direito de Deodoro.

A Assembleia Constituinte, eleita em 15 de setembro de 1890, entre os membros nada menos de 38 vinham da monarquia, 128 eram barachareis, muitos dos quais representantes de terras, 55 eram militares.

A Constituição representava, antes de tudo, as fortes correntes em que se dividiam os Republicanos nos anos da propaganda: de uma lado os idealistas ou românticos, representando setores das classes médias, entre as quais agora, uma vez que havia um militar na Chefia do Governo, podiam incluir-se os militares – em suma, a pequena burguesia urbana, mais ou menos letrada e imbuída das ideias francesas de liberdade, igualdade e fraternidade. E outro grupo objetivista, realista, representando as classes possuidoras, os donos das terras, os fazendeiros de café, que se expressa, política e economicamente, no “coronelismo”.

Deodoro representava essa pequena burguesia urbana, de que o exército era parte, e só podia apoiar-se nela.

O Estado é sempre a expressão de uma classe mais ou menos homogênea apoiada em sólidas bases econômicas: a posse dos meios de produção. E, estes se achavam em mãos do grupo que não estava no poder.

Tal governo, apesar do efêmero apoio de uma parte das classes médias, somente poderia manter-se no poder pela força das armas.

Prudente, o candidato dos fazendeiros, 97 votos contra 129 dados ao Marechal Deodoro. Deodoro não podia governar com um Parlamento que só o elegera sob ameaça de intervenção armada.

Devido à hostilidade do Parlamento o Marechal Deodoro dissolve o Congresso se julgando soberano, desejava colocar-se acima do Congresso em 20 de novembro do mesmo ano.

Os ministros do Governo Provisório se demitiram coletivamente. Dele faziam parte, além de Rui Barbosa, figura de grande prestígio nacional, principalmente por sua decisiva participação na campanha abolicionista, alguns nomes de republicanos históricos dos mais eminentes: Aristides Lobo, como Ministro do Interior, Benjamin Constant como Ministro da Guerra, Quintino Bocaiúva, no Ministro do Exterior, Demétrio Ribeiro – líder positivista e republicano do Rio Grande do Sul, na Agricultura e, por fim, Campos Sales, como representante dos republicanos paulistas, na pasta da Justiça.

Combatido de um lado pelos monarquistas, de outro pelos republicanos paulistas, de um terceiro lado republicanos históricos desconfiados de suas atitudes aparentemente monarquistas e, de todos os lados pela imprensa, seu poder somente se assentava em alguns elementos civis isolados e em pequenos grupos militares.

Quando Custódio, no dia 23 de novembro se põe a manobrar os canhões do encouraçado Riachuelo, Deodoro encontra-se só. Tenta ainda articular uma resistência mas compreende que é inútil.



FLORIANO

Floriano, vice presidente, como substituto constitucional do Presidente demissionário, tomou posse no mesmo dia.

Mas nem todos aceitaram essa legalidade. Baseando-se do mesmo modo na Constituição, alegaram alguns ser necessário convocar novas eleições. E logo de entrada encontrou o novo Presidente uma séria oposição. Em troca, Floriano jamais tomou conhecimento doa argumentos jurídicos, das leis, do Parlamento, da Justiça, e da própria Constituição.

Todo o seu período de 3 anos de governo foi sequencia de infrações à lei e à Constituição. Chegou a nomear Ministro do Supremo Tribunal Federal um médico, o Dr. Barata Ribeiro, - o que o Senado, aliás, não aprovou.

Para salvar a Constituição republicana, infringiu todas as leis e a própria Constituição. Em compensação, mercê dos seus defeitos e suas qualidades, salvou a República, ou melhor, consolidou a República, pois que não havia possibilidades para o renascimento da monarquia.



Floriano depõe todos os governadores e empossa novos do seu agrado sem dar a menor importância ao fato de haverem sido eleitos. E essa troca de governadores não se fez sem lutas e sem sangue.

Uma passeata cívica, (10 de abril de 1892), encabeçada por alguns generais, em homenagem a Deodoro, acaba se transformando numa demonstração anti- Floriano. Este, mais uma vez, não hesita. Pessoalmente dá voz de prisão aos generais e manda desterrá-los. E para prevenir qualquer reação, decreta estado de sítio por 72 horas. Os presos são generais, alguns são deputados, estão cercados, defendidos, protegidos por imunidades. A nada disso deu importância. Rui Barbosa requer Habeas-corpus. O Supremo Tribunal Federal nega.

Enquanto o Congresso reunido discute sobre a legalidade da prisão de parlamentares, em virtude do estado de sítio, Floriano comenta: “Vão discutindo que eu vou mandando prender”.

O período era de:

- derrocada financeira;

- um exército divido entre monarquistas, deodoristas e florianistas;

- uma Marinha hostil que, na comparação de um cronista da época, era uma espécie de sócio comanditário enquanto o sócio gerente – o exército, usufrui os dividendos;

- os Estados  em permanente agitação, agravada com as deposições sumárias;

- o Rio Grande do Sul dividido entre uma dezena de caudilhos, tratando de empossar, na época, o seu décimo presidente constitucional;

- o Congresso dividido entre: os republicanos paulistas, (e entre estes se devem incluir os mineiros e muitos outros ligados à propriedade da terra e principalmente ao café), impacientes pelo poder e ao mesmo tempo receando pela queda da República;

- os monarquistas, por sua vez, torcendo pela queda da República;

- os republicanos românticos, acreditando, apesar de tudo, que o melhor da República, ainda esta por vir.

Acontece então a Revolta da Armada, cujas causas reais não é ainda possível precisar... a Revolta era apenas “a explosão de desejos mal satisfeitos”.

Floriano, com mão de ferro e habilidade política surpreendente, manteve a Armada revoltada à distância, praticamente inativa, durante seis meses, enquanto encomendava navios nos Estados Unidos para combate-la.

A Revolta com um manifesto em que pretende apelar à nação que declare, - quatro anos depois de estabelecida a Republica, - qual o regime que prefere! É a restauração à vista, pensava-se. E o Congresso ao grito de “a República em perigo!” encontra apoio no seio da população, que a ele se une em torno de Floriano, dando-lhe assim, afinal, uma base em que se apoie, para governar.






quarta-feira, 13 de junho de 2012

Como poderiam ser escritos os livros de História:


Como poderiam ser escritos os livros de História:

A Invasão Portuguesa

Muito longe daqui tem uma terra que se chama Europa.

Lá moram homens de pele branca.

Eles têm costumes diferentes dos nossos.



Antigamente o chefe do branco se chamava “rei”.

O rei de Espanha e o rei de Portugal queriam tomar

Conta do mundo inteiro.



Eles já tinham até combinado

Dividir para eles

Todas as terras novas que encontrassem.



Foi assim que os portugueses chegaram

Numa praia aqui no Brasil,

que se chama hoje Porto Seguro.



Fazia muito tempo que os índios Tupinikim

Moravam naquela terra!

Fazia muito tempo que os índios tupinikim

Plantavam naquela terra!



Mas os portugueses não respeitaram

O direito da nação Tupinikim.

Todos os índios que moravam ali

Foram espiar os portugueses chegar.



Viram os portugueses botarem o marco de pedra

Do rei de Portugal e não reclamaram...

OS ÍNDIOS TUPINIKIM NÃO ESTAVAM SABENDO

O QUE OS PORTUGUESES QUERIAM.



Eles não sabiam que os portugueses

Tinham vindo ocupar nossa terra.

Eles não sabiam que os portugueses

Tinham vindo mudar nossa vida.



Esse branco intruso diz que foi ele

Quem descobriu o Brasil.

Mas os brancos não descobriram o Brasil!

Os índios já moravam nesta terra!



Por isso um índio Kaimbé falou assim

Na assembleia do povo Xokó, em Sergipe:

O BRASIL NÃO FOI DESCOBERTO,

O BRASIL FOI ROUBADO!”

(Adaptado de “História dos Povos Indígenas”)


terça-feira, 12 de junho de 2012

Como foram escritos a História?


Como foram escritos a História?

Todos os homens, de todas as populações da Terra, viveram, participaram e fizeram a História.

Mas, nem todos os homens e nem todas as populações da Terra escreveram a história que fizeram história.

Quem foi que escreveu os livros de História?

Por muito tempo, quem se preocupava em registrar os acontecimentos eram os poderosos: reis, imperadores, generais, conquistadores...

Assim, os livros de História quase só contam as histórias dos reis, imperadores, generais, conquistadores...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Movimento que propôs uma organização da sociedade, onde nenhum homem teria o poder de dar ordem ao outro homem.


ANARQUISMO


INTRODUÇÃO

Movimento que propôs uma organização da sociedade, onde nenhum homem teria o poder de dar ordem ao outro homem. Uma sociedade onde tudo é de todos na qual a propriedade é coletiva, e tudo repartido igualmente. Todos são livres e iguais, a sociedade se auto governaria, onde cada um deve determinar sua vida, ao contrário de uma democracia onde decisões determinadas por uma maioria não precisa ser acatada pela minoria. Cada um faz o que deve fazer a si mesmo assumindo as responsabilidades de seus atos.


ANARQUISMO

O anarquismo foi um movimento revolucionário que surgiu no séc XIX. O principal pensador anarquista foi o russo Mikhail Bakunin (1814-1876), um incansável panfletário e combatente nas barricadas. Outros pensadores anarquistas destacados foram o príncipe russo Kropotkin e o italiano Malatesta. Anarquismo não quer dizer bagunça,mas sim ausência de governo. Na verdade, anarquistas e marxistas concordam num ponto importante: o capitalismo é desumano e deve dar lugar a uma sociedade comunista. O que seria o comunismo? Uma sociedade na qual a propriedade é coletiva, tudo é de todos: todos trabalham e repartem igualitariamente o que foi produzido. Mais importante ainda: no comunismo não existe Estado. Isso mesmo que você leu: tanto para Bakunin como para Marx e Engels, o comunismo só seria alcançado quando não existisse mais o Estado, prisões ou qualquer tipo de repressão.

Nenhum homem teria o poder de dar a menor ordem a outro homem. Todos seriam livres e iguais. Mas, senão existisse Estado nem repressão, a sociedade não seria uma bagunça? Não, diziam eles, porque em vez de existir um Estado acima dos homens, a sociedade se autogovernaria. Seria a autogestão. Repare, portanto, que nunca existiu um país comunista. O fato é que marxistas e anarquistas acreditam que não seja verdade que o homem só possa viver quando submetido ao chicote e ao berro. Como disse o filósofo alemão Hegel,"todas as qualidades do espírito só se manifestam através da liberdade". O que houve foi uma idéia básica, adotada e interpretada por muitos. Assim, o que se sabe do anarquismo atual proveio da aparição no cenário político de um russo chamado Mikhail Bakunin.

Bakunin, o mais brilhante entre todos os anarquistas, pertencia a uma rica família de proprietários de terra na Rússia. Alguns membros da família de sua mãe tinham participado do levante decembrista de 1825, mas de início a rebelião de Bakunin teve caráter filosófico, quando ele descobriu Hegel e Fichre. Foi Herzen que iniciou a sua conversão ao radicalismo e mais tarde, em 1843, quando completava seus estudos filosóficos na Europa, ele se tornou um revolucionário graças à influência de Wilhelm Weirling e Proudhon. Durante os anos de 1848-1849, tomou parte ativa nas rebeliões que ocorreram em Paris, Praga e Dresden; capturado após o fracasso da rebelião de Dresden, esteve preso em prisões da Saxônia e da Áustria, tendo sido entregue posteriormente à polícia do Czar. Depois de um longo período de internamento na fortaleza de Pedro-e-Paulo, onde o escorburto provocou a perda de seus dentes, foi enviado para a Sibéria, conseguindo mais tarde fugir para o Japão e de lá. para os Estados Unidos e Europa. Participou de uma fracassada revolta na Polônia e, tendo abandonado definitivamente suas idéias pan-eslávicas, desenvolveu uma série de teorias anarquistas e fundou uma organização política secreta, a Aliança da Social Democracia. Em 1868 juntou-se à Internacional e liderou a corrente que se opunha a Marx; foi oficialmente expulso da Internacional em 1872, mas muitos membros oriundos da Itália, Espanha, França, Bélgica e Suíça saíram com ele, fundando uma organização independente, a chamada Internacional St. Imier. Na década que se iniciou em 1870 Bakunin tomou parte nas revoltas de Lyon e Bolonha, acabando por morrer em Berna, onde foi sepultado. Sua obra escrita é vigorosa mas muito mal organizada; o próprio Bakunin confessou a Herzen que não tinha qualquer noção de arquitetura literária, e só muito raramente conseguia concluir qualquer trabalho mais longo do que um artigo. Era um ativista e talvez a sua mais importante contribuição à causa tenha sido como fundador do movimento anarquista histórico, que acabaria com a destruição das organizações anarco-sindicalistas espanholas em 1939. Entretanto, a ideologia anarquista baseia-se em alguns pontos de consenso geral. Para um anarquista, o homem é capaz de viver naturalmente numa sociedade livre e igualitária. Não que isso seja a regra – como bem o prova a História – mas é simplesmente algo absolutamente possível, uma vez que a bondade social é inerente à natureza humana. Assim, o ódio dos anarquistas projeta-se totalmente sobre o grande cerceador da liberdade: o Estado. Essa raiva é tão grande que, ao contrário de algumas ideologias similares como o comunismo, o anarquismo é contra qualquer forma de representação partidária para atingir seus objetivos. A revolução para a instauração da anarquia deve ocorrer por meios econômicos e de luta e não políticos (uma vez que a doutrina nega a existência de qualquer tipo de lei ou Estado).

Além disso, cada indivíduo deve determinar sua vida. Por isso, ao contrário de uma democracia, as decisões tomadas por uma maioria não precisam – aliás, nem sequer devem – ser acatadas pela minoria restante. Conseqüentemente, ser anarquista é aceitar a responsabilidade de todos os atos. Cada um faz o que tem de fazer por si mesmo, não de modo solitário, mas sim como um integrante de uma sociedade onde todos têm consciência de seus deveres. Isso foi bem colocado por Bakunin num ataque direto aos comunistas: "Não sou comunista, porque o comunismo concentra e engole, em benefício do Estado, todas as forças da sociedade". Ele se auto definiu como coletivista, que veio a ser conhecida como uma forma de anarquia.

Antes dele, desenvolvera-se na França, outra forma, conhecida como mutualismo, baseada nos escritos de Pierre-Joseph Proudhon. Proudhon era filho de camponeses da região de Franché-Comté. Seu pai era um tanoeiro e proprietário de uma taberna. Proudhon iniciou a vida como tipógrafo e mais tarde trabalhou como representante de uma firma transportadora com sede em Lyon. Foi aí que manteve seus primeiros contatos com os socialistas e começou a desenvolver teorias próprias sobre um sistema sem governo baseado numa organização econômica cooperativista e na libertação do crédito da agiotagem que o controlava. Em 1840 publiocou Qu'est-ce-que la propriété?, onde se declarou pela primeira vez anarquista. O livro foi elogiado por Marx que se transformaria mais tarde no grande crítico das idéias de Proudhon. Durante a revolução de 1848-9, Proudhon tornou-se deputado independente da Assembléia Nacional e fundou um Banco do Povo para demonstrar na prática as suas teorias de crédito livre e editou uma série de diários altamente críticos, começando com Le Representant du Peuple, que lhe valeu uma longa temporada na prisão sob o reinado de Napoleão III. Posteriormente um outro livro De la Justice, levou a que fosse julgado e exilado na Bélgica. De volta a Paris, suas críticas corajosas fizeram dele um líder respeitado entre os operários, e um grupo de discípulos seus, os Mutualistas, teve participação ativa na criação da Primeira Internacional.

Seu livro póstumo, De la Capacité Politiqque des Classes Ouvrières, forneceu a base teórica para o anarco-sindicalismo. Bakunin chamava-o de "Mestre de todos nós!". Ao contrário da maioria dos anarquistas, os mutualistas não se abstinham de votar e obter representação política.

Já o comunismo-anárquico baseia-se na idéia de Piotr Kropotkin, outro russo. Nascido em Moscou e pertencendo a uma fammília nobre e tradicional, os príncipes de Smolensk, descendentes de Rurik, o Grande Príncipe de Kiev na Idade Média, Kropotkin ainda menino atraiu a atenção do Czar Nicolau I e passou a integrar o seleto Corpo de Pagens. Já oficial, servindo na Sibéria, seus interesses científicos levaram-no a realizar explorações de grande importância para a geografia da região. Suas experiências na Sibéria aguçaram uma tendência já existente para a rebelião. Desligou-se do exército, tornou-se geógrafo e mais tarde abandonaria a ciência para tornar-se um anarquista. Ingressou na Internacional em 1872 na Suíça e voltou à Rússia para realizar um trabalho clandestino de propaganda. aprisionado, conseguiu fugir espetacularmente para a Europa Ocidental, onde fundou e editou um jornal, Le Révolté até ser novamente preso na França em 1882. Em 1885 seria libertado, depois de um amplo movimento de protesto apoiado por escritores, cientistas e acadêmicos. Passou os próximos 30 anos na Inglaterra, onde escreveu suas obras mais importantes: A conquista do pão, Ajuda mútua, Memórias de um revolucionário e Campos, fábricas e oficinas. Voltou à Rússia durante a revolução de 1917, mas desiludido com a ditadura bolchevique e sem qualquer influência sobre os acontecimentos, passou seus últimos anos dedicado a escrever mais um livro, Ética, que deixou inacabado ao morrer. Escreveu também muitos panfletos, e, embora tivesse abandonado a pesquisa científica, seu espírito transparece e todos os seus trabalhos. Para ele, uma vez eliminados todo o poder político e a exploração econômica, todos os homens trabalhariam voluntariamente e pegariam o que lhes fosse necessário.

O anarquismo individualista, como sua própria denominação evoca, tem suas bases nos escritos de Max Stirner , para quem o ideal é o egoísta: o homem que se realiza a si mesmo em conflito com sua coletividade e com os outros indivíduos e que tenta de tudo a seu favor. Mas é claro, nunca fugindo aos moldes da anarquia, ele jamais pode ferir outrem neste processo e muito menos privar a liberdade de alguém. Por último vem o anarco-sindicalismo, expressão mais forte para a qual todas as outras acabaram por desembocar. Segundo os anarco-sindicalistas, a greve geral seria o supremo instrumento estratégico revolucionário. No século XIX e início do XX, os anarquistas ocuparam seus lugares de maior destaque. Entraram em conflito com os comunistas, não apenas uma, mas várias vezes. Ora através de Bakunin na I Internacional, ou através de Nestor Makhno, na Rússia.

Makhno nasceu em Gulvai-Polye, pequena cidade da Ucrânia que seria mais tarde o centro de sua atividade guerrilheira. Trabalhou nas grandes propriedades rurais da região, tendo se convertido ao anarquismo durante a revolução de 1905. Iniciando a atividade revolucionária, foi preso em 1909 por participar de atos terroristas e só seria libertado em 1917, quando retornou a Gulvai-Polye para organizar o soviete local. Quando os austríacos e alemães invadiram a Ucrânia, em 1918, Makhno organizou as ações de guerrilha contra o inimigo e aos poucos foi criando o exército revoltoso que teria importante participação na luta contra os Exércitos Brancos de Denikin e Wrangell em 1919-20. Os bolcheviques estavam dispostos a beneficiar-se com as proezas militares de Makhno sem no entanto permitir que ele fizesse da Ucrânia uma região independente sob o anarquismo. Assim, imediatamente após a derrota dos Brancos, o Exército Vermelho se voltou contra ele. Makhno conseguiu resistir durante vários meses, mas finalmente foi obrigado a fugir para a Romênia em 1921. Lá foi aprisionado, mas conseguiu escapar para a Polônia onde foi detido e acusado de ações criminosas contra a Polônia, jamais provadas. Libertado em 1923, permitiram-lhe que fosse para Paris, onde morreu pobre e quase sem amigos. Foi ao tempo de Makhno que o anarquismo conseguiu se tornar um movimento importante na Rússia, embora tivesse um caráter basicamente regional e ucraniano.

Além disso, outro episódio mostrou o fracasso da revolução russa. Em 1921, com a guerra civil devastando a Rússia, trabalhadores da base naval de Kronstadt resolveram se manifestar frente a Trotsky exigindo a volta dos sovietes, liberdade de expressão, supressão da polícia secreta e liberação dos presos políticos. Usaram para tanto, slogans de cunho visivelmente anarquistas como "onde há autoridade não há liberdade". O Exército Vermelho arrasou a cidade, que ficava a apenas 30 km de Petrogrado. Assim, os comunistas, apesar de não concordando totalmente com a idéia anarquista, acabaram por destruir seus próprios irmãos em ideologia no primeiro país do mundo que tinha passado por uma revolução no sentido de estabelecer a igualdade e liberdade para todos. A Espanha foi o país em que mais os anarquistas estiveram perto de conseguir alguma coisa concreta. Isso porque, o ódio aos poderosos vinha muito antes de Bakunin enviar o emissário Fanelli com o propósito de disseminar o anarquismo no país. Assim, o parlamento espanhol havia desapropriado os camponeses em detrimento de novos fazendeiros. Os primeiros não tiveram escolha a não ser travar uma verdadeira guerra de guerrilha com estes últimos. Em outubro de 1868, Fanelli disseminou entre os jovens espanhóis intelectuais e operários as idéias libertária bakuninistas. A assimilação foi rápida, logo surgindo jornais e as primeiras seções da Internacional em Andaluzia, Valencia e na Espanha setentrional. Além disso, a importância da greve geral para a revolução foi aceita imediatamente pelos anarquistas espanhóis. Como isso resultasse num confronto muitas vezes sangrento, foi necessária uma organização de luta. Em 1910, representantes dos sindicatos da Espanha fundaram a CNT (Confederação Nacional do Trabalho). A CNT evitou a criação de uma burocracia permanente. Uma prova de sua eficiência e da dedicação de seus um milhão de militantes é a de que até 1936 ela só teve um funcionário pago. Em 1930, durante a ditadura de Primo de Rivera a CNT tenta tudo para apressar a revolução. Buenaventura Durruti foi um dos que lutou para isso. Durruti foi o mais famoso entre os ativistas militantes, tão numerosos no movimento anarquista espanhol. Nunca escreveu, nem chegou a fazer qualquer contribuição à teoria do anarquismo, mas possuía uma personalidade envolvente que até Malraux admirava. Era um homem disposto a arriscar tudo pela causa. Quando jovem, trabalhou como mecânico na estrada de ferro e, depois de participar ativamente da greve de 1917, fugiu para a França de onde voltaria mais tarde para filiar-se ao C.N.T. e ao anarquismo. Integrava um grupo terrorista que assaltava bancos para financiar a causa, tendo participado de vários atentados - o mais notável deles contra o Arcebispo de Salamanca, assassinado durante a missa. Vivendo quase todo o tempo ora na prisão ora no exílio durante a monarquia e a república, depois de 1936 Durruti participou dos combates contra os generais Franquistas em Barcelona. mais tarde liderou a coluna que entrou em Aragão, onde conseguiu recuperar grande parte do território nas mãos do inimigo. Conduziu seus homens para que lutassem em defesa se adri e lá morreu, atingido por um tiro dado pelas costas. Seu assassino nunca foi identificado.

Por fim, o ditador acabou perdendo o poder, e todos os grupos políticos lutaram pela república. Os anarquistas tiveram sua participação, mas não pararam nunca com seus objetivos de manter a nação em polvorosa para uma revolução. Assim, com a revolta dos generais em 1936, estourou a guerra civil. No início, a CNT mostrou uma força surpreendente, mas não foi párea para o poder nazi-fascista que ajudou a colocar Francisco Franco no comando do governo. Mas os anarquistas conseguiram, durante a guerra civil, praticar com sucesso a coletivização industrial e agrícola, realizando na prática a autogestão na Espanha.

Também em inúmeros outros países, como França e Itália, o anarquismo encontrou espaço e força. Neste último, um simpatizante foi Errico Malatesta. Filho de uma família abastada do sul da Itália, o estudante de medicina Malatesta ingressou na Primeira Internacional e sofreu a influência pessoal de Bakunin. Abandonou a profissão para dedicar os últimos sessenta anos de sua vida à agitação anarquista, tanto em sua terra natal, a Itália, quanto em países tão distantes e tão diferentes entre si quanto a Turquia e a Argentina. Participou de insurreições na Bélgica, Espanha e Itália. Totalmente absorvido pela ação ativista e tendo que ganhar a vida como eletricista, não chegou a escrever nenhuma obra importante mas seus artigos e panfletos estão entre o que de melhor existe na literatura anarquista. Passou os últimos anos de sua vida na Itália e, durante o regime fascista, foi mantido sob prisão domiciliar. Tal era o medo que inspirava às autoridades da época que, ao morrer, seu corpo foi jogado numa vala comum para impedir que seu túmulo se transforma-se num símbolo e no ponto de partida para as agitações dos dissidentes.

Também nas Américas tivemos nosso quinhão anarquista, com uma experiência feita aqui mesmo, no Paraná, a colônia Cecília. Quanto ao resto do Brasil, a greve geral de 1917, por exemplo, foi comandada por anarquistas. Mas em 1922, com a fundação do partido comunista do Brasil, os libertários perderam a força. Finalmente, em 1964, o golpe militar sufocou as vozes dos anarquistas brasileiros. Hoje sobrevive apenas, de cunho anárquico, a editora Mundo Livre, no Rio de Janeiro. Na Bahia, edita-se o jornal bimensal O Inimigo do Rei.


CONCLUSÃO

Este movimento tem como idéia de uma vida melhor, com direitos iguais e sem um Estado maior onde deveríamos cumprir, as decisões tomadas por uma maioria ou por políticos. Concordo com uma sociedade mais livre onde poderíamos viver com igualdade sem essa diferença de classes sociais que definem o mundo na atualidade.

domingo, 10 de junho de 2012

A impressão que a gente tem é a de que o mundo foi sempre assim como o encontramos hoje.


A importância de se conhecer a História

Quando nós nascemos, já encontramos o mundo, por assim dizer, feito. Cidades construídas, países com os seus governantes, pessoas trabalhando para as outras, lojas, esse papel chamado dinheiro, uma língua pronta para ser aprendida e falada, escola, etc.

A impressão que a gente tem é a de que o mundo foi sempre assim como o encontramos hoje. Que sempre houve cidades e países, gente que manda e gente que obedece; que sempre existiram as fábricas e as máquinas, pouca gente rica e muita gente pobre; ou que as línguas, os números e as ciências já nasceram junto com os homens.

Se bem que, no fundo a gente até sabe que tudo que está aí tem história. Mas, se não procuramos saber como esse mundo veio se fazendo, acaba que nos acostumamos a aceitar tudo como se tudo tivesse sido sempre do jeito que está.

Ou senão, quem sabe, como se a sociedade tivesse sido obra de seres superiores e não de homens e mulheres, pessoas iguaiszinhas a nós.

Assim como é importante que cada um de nós conheça a história de sua vida, para se sentir com segurança de assumir suas próprias decisões e construir o seu caminho, assim também é importante conhecer a história da humanidade, para que possamos assumir a responsabilidade da construção da História em nosso tempo.

sábado, 9 de junho de 2012

A mudança é obra dos homens e mais precisamente de uma classe social.


A história das sociedades humanas, desde o comunismo primitivo até o capitalismo, constitui certamente um assunto dos mais apaixonantes na medida em que a sociedade futura se vier a existir, será um produto e também a ultrapassagem de todas as fases históricas anteriores e herdeira de toda a sua evolução, desde os primórdios, sobre todos os planos da vida social.

Ao contrário da idéia partilhada e propagada por todos os defensores do capitalismo, este sistema não é eterno, não constitui a forma inultrapassável da organização econômica da sociedade. Tal como os modos de produção que o precederam, o capitalismo é somente uma etapa transitória dentro da sucessão dos modos de produção da história humana e, como seus predecessores, depois de uma fase de progresso, ele é condenado a confrontar-se com contradições insuperáveis, tornando necessária sua ultrapassagem.

Para o homem novo existir um dia, o da sociedade comunista libertada do reino da necessidade, será necessário que a classe revolucionária, o proletariado, seja capaz de derrubar o capitalismo. Isso só pode ser o produto de um ato consciente de vontade e de consciência da parte desta classe revolucionária, mas tem como precondição, que o capitalismo tenha deixado de constituir um sistema progressista para o desenvolvimento das forças produtivas. Será estamos hoje numa fase decadente do capitalismo? E desde quando? O estudo das fases de ascendência e de decadência que precederam o capitalismo nos ajuda evidentemente a responder a questão. O assunto desta apresentação que será concluída pela análise da fase atual do capitalismo é justamente de expor no âmbito marxista de análise a sucessão dos modos de produção.

A- Os fundamentos teóricos do materialismo histórico

1.      Como Marx o demonstrou, o movimento da História não pode ser entendido a partir das ideias que os homens têm de si mesmos, mas pelo estudo do que serve de base a estas ideias, os processos e as relações sociais pelos quais os homens produzem e reproduzem sua vida material, quer dizer "as relações de produção" ou a "estrutura econômica da sociedade".

· "Na produção social da própria existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade; estas relações de produção correspondem a um grau determinado de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma super-estrutura jurídica e política e à qual corresppondem formas sociais determinadas de consciência." (Prefácio à introdução à contribuição para a crítica da economia política).

Assim, a consciência dos homens, da mesma maneira que as formas políticas, jurídicas, religiosas são produto das relações sociais de produto:

· "O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e imtelectual. Não é a consciência dos homens que determina a realidade; ao contrário, é a realidade social que determina sua consciência." (Prefácio à introdução à contribuição para a crítica da economia política).

2. As formações econômicas passam necessariamente por período de ascedência e por período de declínio ou de decadência:

"Em certa fase de seu desenvolvimento as forças produtivas da sociedade entram em contradição com as relações de produção existente, ou, o que não é mais que sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais elas haviam desenvolvido até então. A transformação que se produziu na base econômica transforma mais ou menos lenta ou rapidamente toda a colossal superestrutura" (Prefácio à introdução à contribuição para a crítica da economia política).

3. Entretanto, dizer de acordo com marxismo que "não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas ao contrário que é seu ser social que determina sua consciência", isso não significa por essa razão que a consciência dos homens seja só o reflexo passivo das relações de produção. Ela é ao contrário uma força material de transformação da sociedade, a História, mas dentro de um âmbito social dado. A necessidade material de uma mudança social se desenvolve com as forças produtivas, como um processa objetivo independente da vontade dos homens. Mas a própria mudança é obra dos homens e mais precisamente de uma classe social.